segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A.J. Pereira da Silva – O poeta de Araruna


Retrato de Formatura do Poete Pereira da Silva.
Fonte: LUCENA, A. J. PEREIRA DA SILVA, 1993.
          Araruna tem o orgulho de ser a terra natal, de um grande poeta, Antonio Joaquim Pereira da Silva, que foi o primeiro paraibano a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), além de ser um dos patronos da Academia Paraibana de Letras.
            Antonio Joaquim Pereira da Silva nasceu em Araruna - PB, aos 12 de novembro, embora comemorasse no dia 9, no ano de 1876 (ano de emancipação do município). O jovem Pereira da Silva era de família pobre, tinha uma grande fascinação pela arte da leitura, desbravador do conhecimento procurava a leitura onde quer que fosse, quem tivesse alguma fonte leitura na então vila de Araruna, era procurado por Pereira da Silva, sendo quase intimado a emprestar-lhe um livro. 
            Adepto do hábito da leitura, não se recusava ler o que fosse, sejam romances, livros de economia, jornais velhos, histórias da Carochinha, pois ler e escrever eram suas paixões.
           Filho de Manuel Joaquim Pereira da Silva e Maria Ercelina Pereira da Silva, o poeta de Araruna tinha uma grande admiração pelo pai, que fabricava violas, ficava horas observando com paciência o que para ele eram: “os suspiros e as tristezas de amor dos poetas do sertão”. Quando seu pai morreu foi morar com os avós, recolheu como herança e guardou com zelo, uma cruz de madeira que seu pai fabricara antes de morrer, pois considerou a  cruz seu destino já que deveria se chamar Pereira da Cruz, onde o mesmo hesitou em assinar assim, ficando mesmo por Pereira da Silva.
           Foi batizado aos 12 de março de 1877, pelo vigário Francisco Xavier da Rocha. Pereira da Silva chegou a ser coroinha da então capela da Conceição (hoje Igrejinha de Santo Antonio), de onde ficava olhando o movimento dos pássaros na pacata vila de Araruna, onde as rolinhas ficavam em casais em cima da cruz da capela, aonde chegou até homenagear Araruna, com uma poesia denominada “Idade de Ouro.”

Fotografia de A.J Pereira da Silva.
 Fonte: http://arteemoes.blogspot.com.br

Antiga capela de N. S. da Conceição, atual igrejinha de Santo Antonio,
onde Pereira da Silva foi batizado e coroinha.
Fonte: Acervo de Humberto Fonsêca de Lucena
           Em 1891, com apenas 15 anos de idade foi forçado pelas dificuldades acarretadas pela seca a sair de sua querida e admirada Araruna, mudou-se para o Rio de Janeiro onde ingressou na Escola Militar, formou-se em Direito foi promotor público no Paraná, voltou ao Rio onde inicio sua vida de jornalista escrevendo em A cidade do Rio, Gazeta de Notícias, Época, Pátria, Jornal do Comércio e nas revistas Roza Cruz e Mundo Literário.
           Antonio Joaquim Pereira da Silva foi o primeiro paraibano a ingressar na Academia Brasileira de Letras, tornando-se um dos imortais de nossa História, ingressando na academia em substituição ao imortal Luis Carlos na cadeira de nº 18. Teve muitas Obras publicadas tais como: Solitudes, 1918; Beatituides, 1919; Holocausto, 1921; o Pó das Sandálias, 1923; Senhora da Melancolia, 1928; Alta Noite, 1940, entre outros.
           A.J. Pereira da Silva faleceu no Rio de janeiro em 1944, morreu pobre esquecido, é famoso pelo nome de “Poeta da Dor”, pois transpassava em seus trabalhos todo seu sentimento recolhido de tristeza.

 Pertencem a ele pensamentos famosos como:

“A glória humana de viver consiste em ser feliz, mesmo se sendo triste.” (O divino tríptico)

“É preciso sofrer assim como se é preciso amar.” (Simples reflexão)

“Saudade, o inverso da Esperança, cada instante vivo mais aumenta!” (Saudade)

“Vive com tua dor, que esta jamais ilude.” (Palavras suas)


            Foi homenageado no brasão do município de Araruna, de onde constam em seu escudo um livro com as iniciais ‘P’ e ‘S’, Pereira da Silva, dentro de um livro, ladeado de uma caneta de penas. 
Homenagem a A.J. Pereira da Silva no Brasão de Araruna - PB
         Infelizmente, não existe uma única instituição de ensino em Araruna, onde se homenageie este grande mestre das letras e do saber, onde apenas vemos pais, familiares, padrinhos, madrinhas de/ou políticos famosos nomenclaturando as escolas do município, onde estas pessoas muitas vezes não possuem nenhum vínculo com a educação, esquecendo-se assim da importância de ressaltar o exemplo do grande poeta Pereira da Silva.
           É sem Dúvida um dos Ararunenses e Paraibanos mais nobres e ilustres de nossa história, deixando um belo exemplo de que a Educação rompe as fronteiras da pobreza e de todas as dificuldades impostas, exemplo de amante sua terra Araruna e com certeza uma fonte inspiração para as gerações mais jovens de ararunenses.

Fotografia de Antonio Joaquim Pereira da Silva.
Fonte: LUCENA, A. J. PEREIRA DA SILVA, 1993.

Pereira da Silva com o fardão da ABL.
Fonte: LUCENA, A. J. PEREIRA DA SILVA, 1993.
  • Caricaturas de A. J. Pereira da Silva:
Caricatura do poeta Pereira da Silva publicada no jornal O Globo,
Rio de Janeiro. Fonte:Fonte:http://www.casadamemoriaararuna.com/
Caricatura publicada no Suplemento Literário de A  Manhã
 - vol. VII, Rio, domingo,  15/10/1944.
Fonte:http://www.casadamemoriaararuna.com/
Caricatura divulgada em O Radical - 21/10/1932.
Fonte:http://www.casadamemoriaararuna.com/
Fonte: http://www.casadamemoriaararuna.com/

Caricatura divulgada em O Radical - 26/06/1934.
Fonte:Fonte: http://www.casadamemoriaararuna.com/
Fonte: http://www.casadamemoriaararuna.com/

Wellington Rafael

2 comentários:

  1. Nós já nos vimos um dia
    Nalguma velha abadia
    Dos primitivos cristãos;
    Tinhas a mesma beleza
    E não fito sem tristeza
    Teus olhos e tuas mãos.

    Como se explica a saudade
    Que tantas vezes me invade
    Quando cismamos a sós?
    Penso coisas e mas dizeis
    E eu sinto na alma as raízes
    Profundas de tua voz

    Lembro mesmo uma passagem:
    - Certa vez, sob a ramagem
    das aléias silenciosas,
    contamos reverentes
    o milagre das sementes
    das estrelas e das rosas...

    Sim! Já vivemos um dia
    Na mesma velha abadia
    E em tempos que lá se vão.
    A nossa alma é forasteira:
    Eu já fui frade e tu freira
    De algum convento cristão.

    (A. J. Pereira da Silva)

    Um de meus poemas favoritos...

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  2. Louvo a Deus por ter nascido em Araruna-PB,serra perto do céu e berço de homens eruditos e dignos como Pereira da Silva,Perilo de Oliveira,Pedro Targino Teixeira,José Adalberto Targino Araújo,Ubirajara Targino Bôtto,Humberto Lucena e de politicos trabalhadores e honestos como José Targino Maranhão e josé Targino Pereira da COsta.Viva bela e acolhedora terra de sábios e literatos,

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